Agrada-te do
Senhor, e ele satisfará aos desejos do teu coração. (Sl 37.4)
Em 2 de junho de 1963, um lindo dia de sol, em Los
Angeles, Califórnia, eu me formava, numa faculdade, após árduos anos de
estudos. Aquele dia, por duas razões, ficaria marcado como muito significativo
em minha vida. Primeiro, porque eu conseguira terminar o meu curso e, depois,
porque precisava me despedir de Maria Rute, uma linda garota
com quem eu estava namorando. Maria Rute, uma gatinha de cabelos castanhos e
olhos azuis, estava no 2o ano da faculdade e cantava no nosso
conjunto. Eu estava totalmente apaixonado ou, como dizem os jovens,
"vidrado" nela. Mas, Maria Rute sentia que Deus a estava dirigindo
para trabalhar num acampamento de jovens naquele verão, entre os meses de junho
e agosto, e eu havia decidido trabalhar com meu pai, um construtor de casas, no
norte da Califórnia.
A despedida, naquele dia, ao mesmo tempo feliz e
triste, foi bem difícil para nós. Estávamos namorando há um ano e durante esse
tempo, cantávamos no mesmo grupo, orávamos c nos divertíamos juntos. A
dificuldade aumentava porque não sabíamos quando iríamos nos encontrar de novo,
pois, embora ela fosse continuar seu curso em Los Angeles, eu estava decidido a
fazer pós-graduação em Portland, no estado de Oregon. Por isso comprometemo-nos
a seguir com nossos planos individuais mas a nos escrever fielmente.
De fato, durante o primeiro mês de nossa separação, recebi de Maria Rute
quase que uma carta por dia, e eu, às vezes, lhe escrevia até duas vezes por
dia. Eu estava tão apaixonado que costumava colocar aquelas cartas debaixo do
meu travesseiro.
Com o passar dos meses, porém, as cartas foram diminuindo e eu comecei a
ficar apavorado. "O que estará acontecendo? Será que ela achou outro
sujeito mais bonito? (o que não seria nada difícil)". Essas e outras
perguntas bombardeavam a minha mente: "Será que posso ter certezade que
Deus não vai 'dar mancada' comigo? Será que Deus está interessado em meu
namoro?" — perguntava a mim mesmo...Comecei a orar a Deus: "Senhor,
tu sabes o quanto quero a Tua vontade, mas Senhor, que a Tua vontade seja ela
para mim!".
Você também já orou assim: "Senhor, que a Tua vontade seja ele(a),
ou aquela faculdade, aquele carro?". Ou seja, comecei a
fazer chantagem com o Senhor. Dizia: "Se o Senhor 'quebrar o galho' para
mim, eu faço isso, faço aquilo, etc". Fiz o que, infelizmente, muitas
vezes fazemos — comecei a prometer o que nunca poderia cumprir. Enquanto pedia
a vontade d'Ele, queria também a minha. Será que você já fez isso alguma vez na
vida? Fazemos nossos planos e pedimos a autenticação de Deus nos mesmos.Como
foi difícil para mim entregar o namoro nas mãos de Deus e confiar no "Deus
da minha Salvação"! Parece que com todos os jovens é a mesma coisa:
entregar toda a vida, todo o futuro é até certo ponto, fácil, mas o namoro,
"ah, isto é outra coisa!".
Bem, nessa minha angústia em querer a vontade de Deus e, também, Maria
Rute, Deus me deu um versículo muito precioso:
"Agrada-te do Senhor, e ele satisfará aos desejos do teu
coração." (Salmo 37.4)
E quais eram os desejos do meu coração? Eu vou lhe dizer: uma linda moça
de cabelos castanhos e olhos azuis chamada Maria Rute! Mas, houve uma semana em
que não recebi nenhuma carta dela. Tenso, resolvi fazer-lhe um interurbano. Com
bastante dificuldade, conseguimos conversar e logo percebi que algo estava
acontecendo e que o nosso relacionamento estava esfriando. Depois de mais ou
menos 15 minutos de conversa, o Senhor voltou a falar ao meu coração:
"Jaime, agrada-te do Senhor, põe em primeiro lugar o meu Reino e minha
justiça, e todas as outras coisas te serão acrescentadas...". Mas será que
eu posso confiar? Será que Deus não vai falhar?
Eu ouvia o diabo cochichando ao meu ouvido: "Deus não é bom, Deus
não é fiel, Ele gosta de tirar as coisas boas de você!". Uma semana depois
comecei a desenvolver certa rebeldia. Nunca cheguei a dizer que eu estava
chateado com Deus mas creio que sentia isso no coração. Pensei que Ele havia-me
abandonado. Quando esses pensamentos atingiram seu clímax, eu recebi uma carta
de Maria Rute. Eu estava com medo de
abri-la, medode saber algo da vontade de Deus para a minha vida. Antes de abrir
o envelope, comecei de novo a fazer chantagem com Deus, imaginando que isso
mudaria magicamente o conteúdo da carta.
O primeiro parágrafo era aquela saudação de praxe.
Quando cheguei à segunda sentença do segundo parágrafo, meus olhos caíram sobre
as palavras: "eu sinto que é da vontade de Deus que desmanchemos o
namoro". Naquela hora eu tive vontade de chorar, e chorei mesmo. Eu estava
mais chateado com Deus do que com Maria Rute. Comecei a perguntar a Deus:
"Como o Senhor fez uma coisa dessas comigo?Nós não fizemos um trato?"
Eu estava tão triste que até pensei em desistir de ser missionário
achando que, com isto, Deus reconsideraria o que havia feito...Esta briga durou
mais ou menos duas semanas. Um dia recebi uma carta da mãe de Maria Rute. Ela
ficara sabendo o que havia acontecido e me escreveu. Não lembro o que ela falou
na carta, mas recordo até hoje de uma poesia que ela mandou dentro do envelope.
Essa poesia descrevia a nossa vida como uma série de portas diante de nós. Cada
passo que nós damos nos deixa diante de uma dessas portas e o Senhor nos dá a
chave para que possamos abri-la. A
pessoa com quem vamos nos casar é uma das portas mais importantes da nossa vida
e, na hora certa, com a pessoa escolhida por Deus, Ele vai dar a chave para que
nós mesmos possamos abri-la.
Em setembro daquele ano, ingressei numa faculdade
teológica na cidade de Portland. Aquela altura eu já tinha esfriado um pouco a
"cuca" e percebi que havia pensado e falado muita bobagem sobre o
Senhor. Nos primeiros dois anos, dediquei-me aos estudos e quase não namorei.
Então, a imagem de uma moça com olhos azuis e cabelos castanhos começou a
desvanecer em minha mente e, embora não tivesse recebido mais nenhuma notícia
dela, sentia que ainda existia uma pequena chama acesa em meu coração.Durante
meus anos de seminário eu pastoreei uma igreja na cidade onde estudava. A
igreja, juntamente com os estudos, tomava todo o meu tempo e me ajudou a
esquecer a "gatinha" do passado. De vez em quando, o Senhor voltava a
cochichar ao meu ouvido: "Agrada-te do Senhor, e ele satisfará aos
desejos do teu coração".Eu nem imaginava que, naquela época, em
Portland, existia uma moça com 21 anos de idade, loira, de olhos verdes,
chamada Judith. Essa moça estava no último ano da faculdade de enfermagem. Quando ela tinha 12 anos de idade, num
acampamento de jovens, entregou a sua vida a Jesus para ser uma missionária. E,
então, lá estava ela, 9 anos depois, morando no internato e orando assim:
"Senhor, Tu conheces o meu coração, Tu sabes que eu estou pronta para ir
ao campo missionário sozinha, mas se o Senhor quiser mandar um missionário
comigo, por favor, mande-o".
E eu, no outro lado da cidade, pastoreando a minha
igreja, estudando os meus livros, tentando entregar diariamente os meus
sentimentos e desejos ao Senhor, orava: "Senhor, Tu conheces o meu
coração, Tu sabes que eu estou pronto para ir ao campo missionário sozinho, mas
se o Senhor quiser mandar uma missionária comigo, por favor, mande-a".
E o meu Deus, ouvindo a oração de uma moça, com medo de ficar
"solteirinha da silva", e de um rapaz, com medo de ser mandado
sozinho para a selva, na África, estava ouvindo aquelas orações e ajeitando
tudo...
Eu gosto muito de pensar no caso de Adão e Eva. A Bíblia nos diz que
Adão estava sozinho lá no jardim, entre tudo o que Deus havia criado, mas "não
se achava uma auxiliadora que lhe fosse idônea". É importante notar
que foi Deus quem disse:"não é bom que o homem esteja só, far-lhe-ei
uma auxiliadora que lhe seja idônea". Deus tomou a iniciativa na vida
de Adão e ele quer tomar a iniciativa na sua vida também, amigo. A Bíblia
relata: "Então o Senhor Deus fez cair pesado sono sobre o homem e este
adormeceu : tomou uma das suas costelas, e fechou o lugar com carne, e a
costela que o Senhor Deus tomara ao homem, transformou-a numa mulher e lha trouxe".
Deus preparava a sua futura esposa. E que mulher Ele preparava...! Miss
Universo! Tinha que ser, afinal, era a única mulher no mundo.
Jovem, nahora Deus sabe o que é melhor para você. Ele o criou, e o
salvou e sabe quais são todos os seus desejos mais íntimos. Por que, então,
você não descansa num Deus de tão profundo conhecimento?
Mas, voltando à minha história, certa noite eu estava
pregando na minha igreja e no meio da mensagem, olhei para a entrada da igreja
e "tchan-tchan-tchan!" ... Aquela linda loira, de olhos verdes, que
não queria ir para o campo missionário sozinha, estava visitando a minha
igreja. Aquele foi meu primeiro contato com Judith. Naquela época ela estava
namorando outro rapaz. Ele era crente, mas não tinha nenhum desejo de servir ao
Senhor como missionário, então, um certo dia Judith desmanchou o namoro e eu
aproveitei a oportunidade.Dois meses depois, precisamente, na noite do dia 2 de
dezembro de 1964, nós nos conhecemos melhor. Ah, que noite inesquecível aquela!
Se estou bem lembrado, era uma quarta-feira. Fui para o meu quarto no internato
do seminário não podendo pensar em outra coisa a não ser numa loirinha que, aos
poucos, entrava em minha vida.
Na sexta-feira, um colega meu, casado, ao qual eu havia contado tudo
sobre ela, sugeriu que eu telefonasse à Judith, convidando-a para ir a um
concerto musical na cidade. Achei uma ótima sugestão! Mas havia um problema: eu
estava sem coragem para convidá-la. Depois de pensar muito sobre aquilo, resolvi
acreditar na filosofia: "quem não arrisca, não petisca."
Assim, à noite, eu disquei para o internato onde ela morava. Enquanto
ela estava sendo chamada, meu coração palpitava tanto que pensei que iria
saltar fora, Quando, enfim, ela falou "alô?", eu quase estava sem
jeito de falar, mas me enchi de coragem e perguntei: "Haverá um concerto
musical na cidade amanhã à noite, você não gostaria de ir comigo?". Ela
disse alegremente: "Jaime, eu gostaria muito!". Espero que ela não
tenha ouvido os meus joelhos batendo um no outro. Também convidei-a para jantar
comigo e marcamos o horário. Tudo
combinado!
No sábado acordei cedo. Saí para lavar meu chevrolet. Deixei-o brilhando
e todo perfumado por dentro. Fiz reserva no melhor restaurante na cidade, uma
churrascaria fabulosa! Tomei banho, coloquei a melhor roupa, engraxei meus
sapatos e lá fui eu apanhar minha gata.Cheguei ao internato em cima da hora.
Queria que a primeira impressão fosse perfeita. Então ela chegou logo e nos
cumprimentamos. Não pense que eu a beijei, não! Fomos caminhando para o carro e
eu, como cavalheiro, abri a porta para Judith. Uma vez no carro, enfiei a chave
no contato, e nesse momentos começou uma luta dentro de mim. Durou somente
alguns segundos, mas eu havia pensado seriamente sobre os princípios e
propósitos de Deus em relação à minha vida de namoro, e eu queria um namoro
completamente cristão. Senti que Deus
queria que eu orasse com ela, mas pensei: "Será que ela vai achar que sou
um fanático religioso? O que ela vai pensar?". Decidi ficar firme no
propósito que Deus havia colocado no meu coração. Olhei para Judith meio sem
jeito e perguntei: "Você não gostaria de orar comigo, antes da gente
sair?". Ela disse: "Sim, vamos". Na minha oração convidei o
Senhor Jesus para participar conosco das atividades daquela noite.Comemos o
delicioso churrasco daquele restaurante e fomos para o local do show. Lá
encontramos nossos amigos e, depois do concerto, escolhi a melhor sorveteria na
grande cidade de Portland. Gastei uma "grana" naquela noite, especialmente
considerando que eu era um seminarista " duro". Minha esposa sempre
fala: "Desde aquele dia você nunca mais gastou tanto dinheiro
comigo". Bem, voltamos mais ou menos à meia-noite, e nos despedimos.Isso
aconteceu em 5 de dezembro de 1964. Ficamos noivos no dia 8 de junho de 1965.
Ela estava com 21 anos de idade e eu com 25. O dia mais importante das nossas
vidas, contudo, foi 25 de setembro de 1965. Desde então eu e Judith temos
estado casados há mais de 35 anos. Hoje, temos três lindas filhas, um netinho e
muitos anos de felicidade.Mas, antes de terminar este primeiro capítulo,
preciso contar mais alguma coisinha... Quando eu estava lá no altar da igreja
que ela freqüentava, a igreja cheia de parentes e amigos, o órgão tocando
romanticamente, de repente surge aquela linda moça de olhos verdes, vestida de
branco... Ela desceu o corredor com seu pai... Enquanto caminhavam em minha
direção vários pensamentos passaram pela minha mente.Algo como: "Puxa,
como eu amo esta menina!". Mas o pensamento mais importante foi uma
palavra do Senhor: "Jaime", Ele disse, com aquela voz suave:
"Agrada-te do Senhor, e Ele satisfará aos desejos do teu coração".
Peguei a mão da minha querida noiva e nós dois fomos para o altar e cantamos
juntos um hino que se tornou uma oração para nós: "Senhor, como nosso
pastor, dirige-nos". Tenho experimentado muitas vezes a realidade desta
promessa, desde aquele dia em que nós, olhando um para o outro, fizemos os
nossos votos mútuos.
Jovem, você não precisa ter medo da vontade de Deus
porque ela é boa, agradável, e mais do que tudo, perfeita. Então, descanse
n'Ele. Deus jamais o abandonará nesta, ou em qualquer outra área da sua vida.
Ele sabe quais são os desejos do seu coração e irá satisfazê-los dentro do Seu
plano perfeito.


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