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quinta-feira, 6 de outubro de 2016

MINHA NAMORADA TERMINOU COMIGO, O QUE EU FAÇO?



Agrada-te do Senhor, e ele satisfará aos desejos do teu coração. (Sl 37.4)

Em 2 de junho de 1963, um lindo dia de sol, em Los Angeles, Califórnia, eu me formava, numa faculdade, após árduos anos de estudos. Aquele dia, por duas razões, ficaria marcado como muito significativo em minha vida. Primeiro, porque eu conseguira terminar o meu curso e, depois, porque precisava me despedir de Maria Rute, uma linda garota com quem eu estava namorando. Maria Rute, uma gatinha de cabelos castanhos e olhos azuis, estava no 2o ano da faculdade e cantava no nosso conjunto. Eu estava totalmente apaixonado ou, como dizem os jovens, "vidrado" nela. Mas, Maria Rute sentia que Deus a estava dirigindo para trabalhar num acampamento de jovens naquele verão, entre os meses de junho e agosto, e eu havia decidido trabalhar com meu pai, um construtor de casas, no norte da Califórnia.
A despedida, naquele dia, ao mesmo tempo feliz e triste, foi bem difícil para nós. Estávamos namorando há um ano e durante esse tempo, cantávamos no mesmo grupo, orávamos c nos divertíamos juntos. A dificuldade aumentava porque não sabíamos quando iríamos nos encontrar de novo, pois, embora ela fosse continuar seu curso em Los Angeles, eu estava decidido a fazer pós-graduação em Portland, no estado de Oregon. Por isso comprometemo-nos a seguir com nossos planos individuais mas a nos escrever fielmente.
De fato, durante o primeiro mês de nossa separação, recebi de Maria Rute quase que uma carta por dia, e eu, às vezes, lhe escrevia até duas vezes por dia. Eu estava tão apaixonado que costumava colocar aquelas cartas debaixo do meu travesseiro.
Com o passar dos meses, porém, as cartas foram diminuindo e eu comecei a ficar apavorado. "O que estará acontecendo? Será que ela achou outro sujeito mais bonito? (o que não seria nada difícil)". Essas e outras perguntas bombardeavam a minha mente: "Será que posso ter certezade que Deus não vai 'dar mancada' comigo? Será que Deus está interessado em meu namoro?" — perguntava a mim mesmo...Comecei a orar a Deus: "Senhor, tu sabes o quanto quero a Tua vontade, mas Senhor, que a Tua vontade seja ela para mim!".
Você também já orou assim: "Senhor, que a Tua vontade seja ele(a), ou aquela faculdade, aquele carro?". Ou seja, comecei a fazer chantagem com o Senhor. Dizia: "Se o Senhor 'quebrar o galho' para mim, eu faço isso, faço aquilo, etc". Fiz o que, infelizmente, muitas vezes fazemos — comecei a prometer o que nunca poderia cumprir. Enquanto pedia a vontade d'Ele, queria também a minha. Será que você já fez isso alguma vez na vida? Fazemos nossos planos e pedimos a autenticação de Deus nos mesmos.Como foi difícil para mim entregar o namoro nas mãos de Deus e confiar no "Deus da minha Salvação"! Parece que com todos os jovens é a mesma coisa: entregar toda a vida, todo o futuro é até certo ponto, fácil, mas o namoro, "ah, isto é outra coisa!".
Bem, nessa minha angústia em querer a vontade de Deus e, também, Maria Rute, Deus me deu um versículo muito precioso:
"Agrada-te do Senhor, e ele satisfará aos desejos do teu coração." (Salmo 37.4)
E quais eram os desejos do meu coração? Eu vou lhe dizer: uma linda moça de cabelos castanhos e olhos azuis chamada Maria Rute! Mas, houve uma semana em que não recebi nenhuma carta dela. Tenso, resolvi fazer-lhe um interurbano. Com bastante dificuldade, conseguimos conversar e logo percebi que algo estava acontecendo e que o nosso relacionamento estava esfriando. Depois de mais ou menos 15 minutos de conversa, o Senhor voltou a falar ao meu coração: "Jaime, agrada-te do Senhor, põe em primeiro lugar o meu Reino e minha justiça, e todas as outras coisas te serão acrescentadas...". Mas será que eu posso confiar? Será que Deus não vai falhar?
Eu ouvia o diabo cochichando ao meu ouvido: "Deus não é bom, Deus não é fiel, Ele gosta de tirar as coisas boas de você!". Uma semana depois comecei a desenvolver certa rebeldia. Nunca cheguei a dizer que eu estava chateado com Deus mas creio que sentia isso no coração. Pensei que Ele havia-me abandonado. Quando esses pensamentos atingiram seu clímax, eu recebi uma carta de Maria Rute.   Eu estava com medo de abri-la, medode saber algo da vontade de Deus para a minha vida. Antes de abrir o envelope, comecei de novo a fazer chantagem com Deus, imaginando que isso mudaria magicamente o conteúdo da carta.
O primeiro parágrafo era aquela saudação de praxe. Quando cheguei à segunda sentença do segundo parágrafo, meus olhos caíram sobre as palavras: "eu sinto que é da vontade de Deus que desmanchemos o namoro". Naquela hora eu tive vontade de chorar, e chorei mesmo. Eu estava mais chateado com Deus do que com Maria Rute. Comecei a perguntar a Deus: "Como o Senhor fez uma coisa dessas comigo?Nós não fizemos um trato?"
Eu estava tão triste que até pensei em desistir de ser missionário achando que, com isto, Deus reconsideraria o que havia feito...Esta briga durou mais ou menos duas semanas. Um dia recebi uma carta da mãe de Maria Rute. Ela ficara sabendo o que havia acontecido e me escreveu. Não lembro o que ela falou na carta, mas recordo até hoje de uma poesia que ela mandou dentro do envelope. Essa poesia descrevia a nossa vida como uma série de portas diante de nós. Cada passo que nós damos nos deixa diante de uma dessas portas e o Senhor nos dá a chave para que possamos abri-la.   A pessoa com quem vamos nos casar é uma das portas mais importantes da nossa vida e, na hora certa, com a pessoa escolhida por Deus, Ele vai dar a chave para que nós mesmos possamos abri-la.
Em setembro daquele ano, ingressei numa faculdade teológica na cidade de Portland. Aquela altura eu já tinha esfriado um pouco a "cuca" e percebi que havia pensado e falado muita bobagem sobre o Senhor. Nos primeiros dois anos, dediquei-me aos estudos e quase não namorei. Então, a imagem de uma moça com olhos azuis e cabelos castanhos começou a desvanecer em minha mente e, embora não tivesse recebido mais nenhuma notícia dela, sentia que ainda existia uma pequena chama acesa em meu coração.Durante meus anos de seminário eu pastoreei uma igreja na cidade onde estudava. A igreja, juntamente com os estudos, tomava todo o meu tempo e me ajudou a esquecer a "gatinha" do passado. De vez em quando, o Senhor voltava a cochichar ao meu ouvido: "Agrada-te do Senhor, e ele satisfará aos desejos do teu coração".Eu nem imaginava que, naquela época, em Portland, existia uma moça com 21 anos de idade, loira, de olhos verdes, chamada Judith. Essa moça estava no último ano da faculdade de enfermagem.   Quando ela tinha 12 anos de idade, num acampamento de jovens, entregou a sua vida a Jesus para ser uma missionária. E, então, lá estava ela, 9 anos depois, morando no internato e orando assim: "Senhor, Tu conheces o meu coração, Tu sabes que eu estou pronta para ir ao campo missionário sozinha, mas se o Senhor quiser mandar um missionário comigo, por favor, mande-o".
E eu, no outro lado da cidade, pastoreando a minha igreja, estudando os meus livros, tentando entregar diariamente os meus sentimentos e desejos ao Senhor, orava: "Senhor, Tu conheces o meu coração, Tu sabes que eu estou pronto para ir ao campo missionário sozinho, mas se o Senhor quiser mandar uma missionária comigo, por favor, mande-a".
E o meu Deus, ouvindo a oração de uma moça, com medo de ficar "solteirinha da silva", e de um rapaz, com medo de ser mandado sozinho para a selva, na África, estava ouvindo aquelas orações e ajeitando tudo...
Eu gosto muito de pensar no caso de Adão e Eva. A Bíblia nos diz que Adão estava sozinho lá no jardim, entre tudo o que Deus havia criado, mas "não se achava uma auxiliadora que lhe fosse idônea". É importante notar que foi Deus quem disse:"não é bom que o homem esteja só, far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea". Deus tomou a iniciativa na vida de Adão e ele quer tomar a iniciativa na sua vida também, amigo. A Bíblia relata: "Então o Senhor Deus fez cair pesado sono sobre o homem e este adormeceu : tomou uma das suas costelas, e fechou o lugar com carne, e a costela que o Senhor Deus tomara ao homem, transformou-a numa mulher e lha trouxe".
Deus preparava a sua futura esposa. E que mulher Ele preparava...! Miss Universo! Tinha que ser, afinal, era a única mulher no mundo.
Jovem, nahora Deus sabe o que é melhor para você. Ele o criou, e o salvou e sabe quais são todos os seus desejos mais íntimos. Por que, então, você não descansa num Deus de tão profundo conhecimento?
Mas, voltando à minha história, certa noite eu estava pregando na minha igreja e no meio da mensagem, olhei para a entrada da igreja e "tchan-tchan-tchan!" ... Aquela linda loira, de olhos verdes, que não queria ir para o campo missionário sozinha, estava visitando a minha igreja. Aquele foi meu primeiro contato com Judith. Naquela época ela estava namorando outro rapaz. Ele era crente, mas não tinha nenhum desejo de servir ao Senhor como missionário, então, um certo dia Judith desmanchou o namoro e eu aproveitei a oportunidade.Dois meses depois, precisamente, na noite do dia 2 de dezembro de 1964, nós nos conhecemos melhor. Ah, que noite inesquecível aquela! Se estou bem lembrado, era uma quarta-feira. Fui para o meu quarto no internato do seminário não podendo pensar em outra coisa a não ser numa loirinha que, aos poucos, entrava em minha vida.

Na sexta-feira, um colega meu, casado, ao qual eu havia contado tudo sobre ela, sugeriu que eu telefonasse à Judith, convidando-a para ir a um concerto musical na cidade. Achei uma ótima sugestão! Mas havia um problema: eu estava sem coragem para convidá-la. Depois de pensar muito sobre aquilo, resolvi acreditar na filosofia: "quem não arrisca, não petisca."
Assim, à noite, eu disquei para o internato onde ela morava. Enquanto ela estava sendo chamada, meu coração palpitava tanto que pensei que iria saltar fora, Quando, enfim, ela falou "alô?", eu quase estava sem jeito de falar, mas me enchi de coragem e perguntei: "Haverá um concerto musical na cidade amanhã à noite, você não gostaria de ir comigo?". Ela disse alegremente: "Jaime, eu gostaria muito!". Espero que ela não tenha ouvido os meus joelhos batendo um no outro. Também convidei-a para jantar comigo e marcamos o horário.   Tudo combinado!
No sábado acordei cedo. Saí para lavar meu chevrolet. Deixei-o brilhando e todo perfumado por dentro. Fiz reserva no melhor restaurante na cidade, uma churrascaria fabulosa! Tomei banho, coloquei a melhor roupa, engraxei meus sapatos e lá fui eu apanhar minha gata.Cheguei ao internato em cima da hora. Queria que a primeira impressão fosse perfeita. Então ela chegou logo e nos cumprimentamos. Não pense que eu a beijei, não! Fomos caminhando para o carro e eu, como cavalheiro, abri a porta para Judith. Uma vez no carro, enfiei a chave no contato, e nesse momentos começou uma luta dentro de mim. Durou somente alguns segundos, mas eu havia pensado seriamente sobre os princípios e propósitos de Deus em relação à minha vida de namoro, e eu queria um namoro completamente cristão.     Senti que Deus queria que eu orasse com ela, mas pensei: "Será que ela vai achar que sou um fanático religioso? O que ela vai pensar?". Decidi ficar firme no propósito que Deus havia colocado no meu coração. Olhei para Judith meio sem jeito e perguntei: "Você não gostaria de orar comigo, antes da gente sair?". Ela disse: "Sim, vamos". Na minha oração convidei o Senhor Jesus para participar conosco das atividades daquela noite.Comemos o delicioso churrasco daquele restaurante e fomos para o local do show. Lá encontramos nossos amigos e, depois do concerto, escolhi a melhor sorveteria na grande cidade de Portland. Gastei uma "grana" naquela noite, especialmente considerando que eu era um seminarista " duro". Minha esposa sempre fala: "Desde aquele dia você nunca mais gastou tanto dinheiro comigo". Bem, voltamos mais ou menos à meia-noite, e nos despedimos.Isso aconteceu em 5 de dezembro de 1964. Ficamos noivos no dia 8 de junho de 1965. Ela estava com 21 anos de idade e eu com 25. O dia mais importante das nossas vidas, contudo, foi 25 de setembro de 1965. Desde então eu e Judith temos estado casados há mais de 35 anos. Hoje, temos três lindas filhas, um netinho e muitos anos de felicidade.Mas, antes de terminar este primeiro capítulo, preciso contar mais alguma coisinha... Quando eu estava lá no altar da igreja que ela freqüentava, a igreja cheia de parentes e amigos, o órgão tocando romanticamente, de repente surge aquela linda moça de olhos verdes, vestida de branco... Ela desceu o corredor com seu pai... Enquanto caminhavam em minha direção vários pensamentos passaram pela minha mente.Algo como: "Puxa, como eu amo esta menina!". Mas o pensamento mais importante foi uma palavra do Senhor: "Jaime", Ele disse, com aquela voz suave: "Agrada-te do Senhor, e Ele satisfará aos desejos do teu coração". Peguei a mão da minha querida noiva e nós dois fomos para o altar e cantamos juntos um hino que se tornou uma oração para nós: "Senhor, como nosso pastor, dirige-nos". Tenho experimentado muitas vezes a realidade desta promessa, desde aquele dia em que nós, olhando um para o outro, fizemos os nossos votos mútuos.
Jovem, você não precisa ter medo da vontade de Deus porque ela é boa, agradável, e mais do que tudo, perfeita. Então, descanse n'Ele. Deus jamais o abandonará nesta, ou em qualquer outra área da sua vida. Ele sabe quais são os desejos do seu coração e irá satisfazê-los dentro do Seu plano perfeito.

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